Travesti consegue amamentar após lactação induzida nos EUA

(FOTO: GETTY)

Alimento exclusivo do bebê nos primeiros seis meses de vida, o leite materno traz diversos benefícios aos pequenos e à nutriz. Desde sempre, é um dos símbolos mais sublimes da maternidade devido ao vínculo afetivo criado entre a mãe e o bebê. Mas os transgêneros – neste caso, aqueles que nasceram homem e se autointitularam mulheres – também querem amamentar. Querem e conseguiram. De acordo com um estudo de janeiro deste ano, mas em evidência há pouco, o ativismo transgênero infiltrado na medicina afirma ter conseguido algo inédito: fazer o sexo masculino dar leite.

O estudo de caso Lactação Induzida em uma Mulher Transgênero assinado pela médica Tamar Reisman e pela enfermeira ativista Zil Goldstein da Escola Icahn de Medicina Monte Sinai em Nova York disserta sobre a possibilidade de transgêneros amamentarem após uma travesti, que não teve o nome divulgado, de 30 anos conseguir gerar leite suficiente para alimentar uma criança por seis semanas – cerca de 240 ml/dia –, após sua parceira, a progenitora, decidir não amamentar.

Desde 2011, a paciente, que nunca realizou qualquer procedimento cirúrgico de mutilação genital, passou por um regime de feminização tomando medicamentos como espironolactona (responsável pela baixar da testosterona no organismo), estradiol (hormônio sexual feminino) e progesterona micronizada (hormônio essencial feminino atuante na gestação). Nos três meses próximos a chegada do nascituro, a paciente teve de tomar uma droga anti-náusea proibida pelo governo dos EUA conhecida por aumentar a produção de leite materno, domperidona, e usar bomba de mama três vezes ao dia com o intuito de estimular a produção de leite.

Segundo o estudo, durante esse período de amamentação, o crescimento, a alimentação e os hábitos intestinais do bebê foram “apropriados ao desenvolvimento”. O bebê tem agora pouco mais de 6 meses de idade.

Este é o primeiro relatório formal na literatura médica de lactação induzida em uma trans. No entanto, Reisman e Goldstein reconhecem que é necessária mais pesquisas para determinar se o método adotado para induzir a lactação pode ser alcançado sem o uso de domperidona importada de outros países. Ademais, ainda não está claro quais partes do regime a base de hormônios são benéficas de fato para produzir leite e, por fim, ainda é necessário realizar mais pesquisas para determinar qual o tratamento ideal para trans que queiram amamentar.

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