Menos LGBTQQICAPF2K+, mais individualismo

Acrônimos sempre serão bem-vindos por sua fácil assimilação junto ao público-alvo almejado. Um dos mais conhecidos é o do coletivo que se propõe, de modo equivocadíssimo, a falar por todos, o movimento LGBT.

A primeira sigla do clã que se tem conhecimento foi  LGB (lésbicas, gays e bissexuais) criada na década de 80 por ativistas. Problematizadores por natureza que são, acreditaram que o termo não incluía todos os integrantes da comunidade. Faltavam os(as) transgêneros. Nos anos 90, foi criado GLBT – mesmo não havendo absolutamente ligação nenhuma entre orientação sexual e identidade de gênero – para incluí-los, mas optou-se depois por colocar “L” na frente para dar visibilidade (?) às lésbicas ativistas.

Não parou por aí. E aqueles que não se identificam com o modelo feminino ou masculino, os queers? Ok. Criou-se LGBTQ ainda nos anos 90. Calma! Mas e os intersexuais, ou seja, os hermafroditas – sujeitos que nascem com ambiguidade genital? Não tem problema. Vamos criar LGBTQI. Pronto! Pronto nada. Tem os assexuados (os desinteressados por sexo) e os aliados (os que simpatizam com a causa). Surgiu LGBTQIA. E por aí vai. Tem espaço para os questionadores da própria sexualidade, para os curiosos, para aqueles que sentem atraídos por todos os comportamentos sexuais (os ditos pansexuais), para os 2 espíritos (derivado de tribos indígenas estadunidenses cujo indivíduos se trajavam e desempenhavam papéis masculinos ou femininos). Enfim, são milhares de acrônimos criados constantemente para fazer jus às sandices desse movimento que é conhecimento mesmo como LGBT; a massa não se interessa muito pela vasta acrografia.

LGBT difere-se de GLS, criado em 93 pelo publicitário paulistano André Fisher. Ele tem um sentido mercadológico – embora já tenha sido utilizado para designar o coletivo como um todo no Brasil. Diz respeito a um público com interesses em produtos e serviços inerentes ao universo homo.

Voltando as bizarrices das siglas do movimento, já foi inventado LGBTTIQQ2S, LGBTIH, LGBTTQQIAAP, FABGLITTER, LGBTTQQFAGPBDSM e, recentemente, LGBTQQICAPF2K+. De acordo com o portal The Gay UK, a comunidade ora citada aderiu – sob protestos de alguns – uma nova sigla. Ela agrega outros comportamentos sexuais. Por ex., os kinks, fetichistas.  Agora, vamos a última atualização dos componentes do grupo e é bom aprender para designá-los corretamente sob pena de ser taxado de LGBTQQICAPF2K+fóbico.

  • L – lésbicas;
  • G – gays;
  • B – bissexuais;
  • T – transgêneros (sendo eles/ elas travestis e transexuais);
  • Q – queers;
  • Q – questionadores;
  • I – intersexuais;
  • C – curiosos;
  • A – asexuados;
  • A – agenders (agênero, uma identidade caracterizada pela ausência de gênero) (?);
  • A – aliados (simpatizantes);
  • P – pansexuais;
  • P – polissexuais (alguém que se sente atraído por vários comportamentos sexuais, mas não todos);
  • F – friends and family (amigos e familiares);
  • 2 ou two-spirits – dois espíritos;
  • K – kink (fetichista ou pessoa que pratica sexo de maneira não convencional);
  • + – como você se identifica neste exato momento?

Pra você que acredita numa excentricidade exacerbada em tudo isso, bem-vindo ao bom senso de não se sentir parte de um coletivo maluquete e aderir ao sonoro e excitante individualismo.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *