LGBTfobia não existe

Para entendermos o que significa “LGBTfobia” – conhecido também como “homo-lesbo-bi-transfobia” –, precisamos parar e observar todo um contexto por trás do termo, o que ele quer dizer.  Desse modo, trago sua definição de uma fonte credível ao movimento lgbtista: “a LGBTfobia pode ser definida como a hostilidade geral, psicológica e social contra aqueles(as) que, supostamente, sentem desejo ou têm práticas sexuais com indivíduos do mesmo sexo (práticas homoeróticas)”.

Este recente termo foi adotado com o intuito de unir termos isolados  como “homofobia” – “contrariedade às pessoas homossexuais –, lesbofobia – “inversão às lésbicas como indivíduos, como um casal ou como um grupo social” – e a transfobia – “oposição às pessoas travestis, transexuais”. Eles são comumente utilizados por coletivos LGBT e afins bem como pela grande imprensa para massificar um pensamento de repressão embutido na sociedade como um todo no que se refere a grupos classificados como “minoria” e isto acontece porque a heterossexualidade foi historicamente considerada por ela como uma norma.

Dom Estevão Bettencourt, empregou o termo “engenharia verbal” para o uso da palavra “homofobia”, uma variação de “LGBTfobia”. Para ele, “a manipulação de certas palavras para exprimir condutas de vida novas e causadoras de polêmica na sociedade”. E justifica isto a partir da etimologia de “homofobia”: phobos em grego quer dizer “medo”.  Na teoria, seria o medo frente aos homossexuais. No entanto, é tido como por grupos LGBT como “censura à prática homossexual, de modo que não se poderia condenar em público o homossexualismo, significado este que não está contido no sentido original de homofobia”. Por isto, a palavra é, para ele, uma arma semântica com fins tão somente publicitários.

O psicoterapeuta norte-americano George Weinberg – um dos principais responsáveis por remover a homossexualidade do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – criou o termo em 1965 quando observou um desconforto por parte de pessoas próximas para com uma amiga sua que seria lésbica enquanto convidada de uma festa. O médico associou tal aconduta ao medo e sugeriu um sentimento exagerado de aversão, a fobia.

De acordo com o livro “LGBT Studies and Queer Theory: New Conflicts, Collaborations, and Contested Terrain (Journal of Homosexuality)” (2007), Weinberg era muito engajado com a militância gay norte-americana como, por ex., a Gay Activist Alliance (Aliança de Ativistas Homossexuais) e a Homosexual League of New York (Liga Homossexual de Nova York) e objetivava adicionar pessoas consideradas “homofóbicas” a uma classificação de doentes mentais chegando, inclusive, a dizer que “nunca consideraria um paciente saudável, a menos que ele tivesse superado o seu preconceito da homossexualidade”. Graças a Weinberg, atualmente, a palavra é uma ferramenta política para tachar qualquer um que não considere a homossexualidade como algo comum.

Em 2012, a agência de notícias estadunidense Associated Press desencorajou o uso do termo “homofobia”. Segundo a agência, “fobia significa medo irracional e incontrolável, muitas vezes uma forma de doença mental. Em termos de homofobia, muitas vezes, há especulação. As razões para sentimentos ou ações anti-gays podem não ser aparentes. Os detalhes são melhores do que características vagas dos sentimentos gerais de uma pessoa sobre algo “.

Mas o preconceito, de fato, existe e mata

Somos o país do mundo que mais mata em função da orientação sexual, isto é o que diz o projeto “Transrespect versus Transphobia Worldwide” da ONG alemã Transgender Europe. Quanto ao Brasil, de acordo com o último levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada 25 horas, morre alguém vítima de preconceito, mas, segundo eles próprios, o número pode ser maior já que nem todos os crimes são registrados. Essa afirmação vem do site Quem a Homofobia Matou Hoje?, que ,infelizmente, contabiliza de forma errônea vítimas de crimes passionais, suicídio e até especula sobre as mortes não contribuindo para um número fiel de crimes motivados pelo ódio. No Brasil, não se pode contar com nenhum órgão que contabilize isso, pois não há uma legislação que permita tipicar transgressões do tipo.

Mas, de fato, o preconceito existe e, geralmente, pais e mães são os principais agentes disseminadores desse ódio, pois criam expectativas a cerca do filho(a) e justificam atitudes baseadas na violência com a prerrogativa de proteção contra o mundo e por acreditar, talvez, numa possível reversão. Instituições religiosas, escolas e outros convívios sociais também podem ser lugares oportunos de manifestação do pensamento preconceituoso.

Há algum tempo atrás, parlamentares progressistas criaram o Projeto de Lei 122/06 em vista de tipicar crimes resultantes de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero que não vingou tendo em vista a proposta de texto confusa e os incessantes embates com a bancada religiosa no Congresso. Outras propostas com o mesmo teor sempre vêm à tona por políticos progressistas aqui no Brasil, mas nunca recebem credibilizada pois são mal formuladas.

Não existe “homo-lesbo-bi-transfobia”, existe o verbal e físico ódio puro, mas também existe o direito de achar certo ou não uma orientação sexual ou identidade de gênero por razões pessoais, morais, religiosas etc. É um direito constitucional o da liberdade de pensamento e de expressão. O que não dá pra tolerar é o ódio quando externalizado que, por sua vez, precisa ser expurgado com restrição de liberdade, ou seja, com o rigor da lei. E como a lei não é para todos, ao menos no Brasil, devemos pensar em possibilidades de autodefesa que vão na contramão do pacifismo patético de grupos que dizem lutar em favor de homos e trans. Liberais e conservadores, por ex., consideram o uso de arma de fogo por cidadão comum uma alternativa contra a violência no lugar de hashtag’s e filtros coloridos em fotos.

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